Terça-Feira, 21 de Maio de 2019

Victor Barboza

Victor Barboza é fundador da GFC - Gestão Financeira Criativa e atua com Educação Financeira e Gestão Financeira de pequenos negócios

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A Quarta Lei da Educação Financeira: Fator de Segurança Financeiro



Há algum tempo, trouxemos aqui as três leis da Educação Financeira. Conforme apresentado, as leis da Natureza existem para descreverem como o Universo se comporta. Dessa forma, existem leis que estudamos ao longo da vida escola, como as leis de Newton, leis da termodinâmica, e por aí vai.

A partir destes conceitos, enunciamos três leis para auxiliar na relação das pessoas com o dinheiro, pois quando esta relação não é boa, as demais esferas da vida das pessoas, como saúde, relacionamento e família acabam sendo prejudicadas como consequência.

Psicologia dos Preços: o Efeito Dígito Esquerdo

Neste post, trouxemos mais uma lei para se somar com as demais. Ela foi criada com base em princípios da Psicologia Econômica. Desta, deriva-se a Psicologia dos Preços, que cria estratégias para que os preços sejam “atrativos” e resultem numa conversão maior de vendas. É justamente uma forma de aproveitar-se do Sistema 1 do nosso cérebro, que é muito mais Emocional e Intuitivo, conforme o ganhador do prêmio Nobel, Daniel Kahneman, desenvolveu em seu estudo.

Na Psicologia dos Preços, o chamado “Efeito do Dígito Esquerdo” faz muitos lugares anunciares preços com valores quebrados, como R$ 1,99 ao invés de R$ 2 ou R$ 3,79 ao invés de R$ 3,80. Parece besteira, já que a diferença entre os preços é de R$ 0,01. Mas, de acordo com um estudo da Gumroad, quando o preço é divulgado nestes valores quebrados as vendas são maiores.

A principal explicação para isso é que boa parte das pessoas acaba vendo o preço apenas com o valor anterior à vírgula (dígito esquerdo). Ou seja, ao invés de pensar em R$ 99,99 como R$ 100, arredonda-se para baixo, para R$ 99.

Em uma compra avulsa, esse arredondamento acaba nem tendo tanto efeito negativo, porém, imagine numa compra de supermercado, quando todos os produtos têm seus preços arredondados dessa forma. A diferença começa a ter maior impacto. Ou ainda, projete ao longo da vida quanto foi gasto a mais efetivamente comparando com o arredondamento. Vamos dizer que uma pessoa goste de tomar café todo final de semana, e faça isso há 30 anos. Consideremos, sem reajuste de preços, que o preço é de R$ 4,99, mas que a pessoa sempre considera que está pagando R$ 4,00, ao invés de R$ 5. Em um mês, a diferença por causa da aproximação para baixo é de R$ 3,96. Em 1 ano, o número salta para R$ 47,52. Nos 30 anos, a diferença do gasto real com o gasto imaginado será de R$ 1.425,60, o que seria o equivalente a 285 cafés a mais.

Paralelo com a Engenharia

Na Engenharia, por exemplo, apesar de todos os cálculos precisos que são feitos, na hora de se aplicar os cálculos para um projeto, como a construção de uma ponte, utiliza-se um conceito chamado Coeficiente de Segurança. Trata-se de um fator requerido no projeto para que ele tenha um desempenho seguro. Ou seja, o engenheiro nunca pode aproximar para baixo os seus cálculos. Além de utilizar a aproximação precisa, ele ainda aplica este fator de segurança para que o projeto fique devidamente seguro. Por exemplo, digamos que um engenheiro projetou um carro, que pelos seus cálculos, pode carregar até 995 quilos. Porém, na hora de passar o projeto para a realidade, é preciso considerar um fator de segurança, fazendo com que a carga máxima limite seja de 1095 quilos.

Fator de Segurança Financeiro

O coeficiente de segurança é justamente uma forma de minimizar-se o risco. E quando o assunto é dinheiro, já vimos a importância de ter uma boa gestão dos riscos. É a partir disso que o fator de segurança financeiro deve ser sempre arredondar o valor dos gastos para cima, e não para baixo. Isto trará uma realidade maior entre o que efetivamente foi gasto com o que se imaginou ter gasto.

Voltando ao nosso exemplo do café, ao invés de arredondar para baixo, consideremos o café de R$ 4,99 como R$ 5. A diferença entre o gasto real e o gasto imaginado, agora sendo em prol do imaginado (gastou-se menos do que se imaginou), será de R$ 0,04 em um mês, R$ 0,48 em um ano e R$ 14,40 em 30 anos.

Com base nesse arredondamento para cima, dois pontos também podem ser considerados, já que se gasta menos do que se imagina. O primeiro deles é mais para quem usa dinheiro. Ao contrário de países como os EUA, por aqui é muito difícil os estabelecimentos devolverem os trocos de R$ 0,01. Apesar da lei que diz que devolver o centavo do troco, e se não tiver, deve arredondar o preço para baixo, devolvendo, por exemplo R$ 0,05. O segundo ponto é o de utilizar uma estratégia de sempre arredondar para cima e utilizar a diferença do arredondado para cima em um cofrinho ou uma aplicação financeira. Além de gastar-se menos do que se imagina, ainda será construída uma reserva.

E, acima de qualquer coisa, sempre é importante registrar os gastos em algum local, seja um caderninho, uma planilha ou um aplicativo. Muita gente confia na cabeça para isso, porém já vimos um efeito psicológico que pode atrapalhar nas finanças. E, mais do que isso, milhares de informações passam por dia pela nossa cabeça, e, guardar tudo acaba ficando muito difícil, o que, mais uma vez, contribui para gastarmos mais do que imaginamos.












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